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Criar faz enxergar: Conheça algumas das pessoas artistas surdas que passaram pela Euforie-se


No mês passado, em 21 de abril, foi comemorado o Dia Mundial da Criatividade e Inovação, instituído pela ONU, existe para lembrar que ideias transformam o mundo, e que as soluções para os problemas globais podem vir de qualquer lugar, de qualquer mente, de qualquer linguagem. É uma data que celebra o potencial humano de imaginar o que ainda não existe e dar forma ao que só existia como pensamento.


Na Euforie-se, não queremos deixar de passar essa data para celebrar com orgulho: ao longo de nossas edições, tivemos o privilégio de trabalhar com artistas surdos talentosíssimos, designers, ilustradores, atores, estilistas, dançarinos, que deixaram sua marca em cada etapa da plataforma e provam, a cada criação, a força da representatividade e do protagonismo surdo.



A criatividade surda se comunica universalmente com todas as pessoas!


Alguns desses nomes ajudaram a construir a identidade visual e cultural da Euforie-se de formas que jamais esqueceremos. Ana Clara Feitosa, ilustradora responsável pelas artes da 4ª edição e pelas ilustrações do Livreto "Folclore Brasileiro Surdo"; Silas Queiroz, professor, ator e diretor de teatro com mais de 55 anos de trajetória nas artes cênicas; e Alexsander Pereira, estilista surdo e o primeiro brasileiro surdo a desfilar na São Paulo Fashion Week 2025.


Chamamos cada pessoa para mergulhar um pouco no universo dessas talentosas artistas surdas:



“A arte já responde tudo”


Ana Clara Feitosa começou a trabalhar com artes por prazer, pelo gosto de ilustrar, decorar, presentear. Foi a Euforie-se que abriu as portas para o seu primeiro trabalho de verdade, e o que veio depois foi transformador:

“A minha arte antes da Euforie-se era escondida. A minha arte depois da Euforie-se se mostrou para o mundo e abriu portas. Todas as pessoas me veem agora como Ana Clara, a artista.”

Mas uma das histórias que mais a marcaram não foi sobre ela mesma. Foi quando a DJ surda Lenny Vibe, que sempre toca nas festas da Euforie-se, tatuou no braço uma das suas ilustrações, simplesmente porque se conectou com aquele desenho. E depois, no Encontro de Mulheres Surdas 2026 em Curitiba, outra mulher fez o mesmo com uma arte do evento. Arte eternizada na pele, e elas escolheram fazer isso, sinaliza Ana Clara, toda empolgada.


Para Ana Clara, a arte surda tem uma função que vai além do estético e do lazer:

“A arte surda mostra a identidade surda, a cultura surda, a nossa vivência, o que sentimos na pele, a luta surda, o sentimento surdo. Dessa forma, a sociedade consegue ver e entender sem que a gente explique com sinais ou palavras, a arte já responde tudo.”

55 anos criando sem parar


Silas Queiroz tem 78 anos, nasceu ouvinte em Pernambuco, foi criado no Rio de Janeiro e ganhou, como ele mesmo sinaliza, a surdez de presente. Começou no teatro aos 6 anos, no INES. Desde então, nunca parou, como professor, ator, diretor, criador dos troféus para o Slam de Poesia em Libras do primeiro Encontro Cultural da Euforie-se e da arte do copo da Folia da Euforie-se.



“A arte me faz respirar, relaxar. É um amor meu, tenho paixão pelas artes cênicas. Até hoje, continuo treinando teatro sozinho, fazendo monólogos.”

São aproximadamente 55 anos de dedicação, mil pessoas alunas ao longo da trajetória e a mesma chama acesa. Silas é a prova de que a criatividade não some, ela vira reflexo.



“Minhas mãos traduzem o que eu sonho”


Alexsander Pereira estudou moda, costura figurinos de passarela e foi o primeiro estilista surdo brasileiro a desfilar no SPFW (São Paulo Fashion Week) em 2025. Na Folia da Euforie-se, costurou os abadás que haviam sobrado da 3ª edição e criou um belíssimo lambe-lambe sustentável com recortes das blusas, transformando sobras em arte, reutilização em manifesto estético.



Sobre criatividade, Alexsander define com o coração:

“Para mim, o mais importante da criatividade é liberdade com identidade. Eu crio a minha verdade. Minhas mãos traduzem o que eu sonho, de forma pura e profunda. Minha arte não se ouve: ela se vê.”

O que essas pessoas artistas nos ensinam


A criatividade surda também é uma forma de mostrar a potência surda, uma forma de resistência, uma forma de desafiar a sociedade que tenta invisibilizar o povo surdo.


Há crianças surdas e pessoas surdas com talentos ocultos que estão esperando uma inspiração, uma representação para começar a criar e a Euforie-se tem esse objetivo: mostrar ao mundo o que já existe e fortalecer o povo surdo.


Neste Dia Mundial da Criatividade, celebramos quem faz isso há anos, muitas vezes sem palco, sem vitrine, sem o reconhecimento que merece. Ana Clara, Silas e Alexsander são exemplos de representatividade surda e ter uma verdadeira referência, como Ana Clara nos lembrou, é o que faz uma comunidade crescer. Quando uma pessoa artista surda se mostra para o mundo, abre caminho no para que outras se permitam fazer o mesmo.


Viva a criatividade surda! <0/

 
 
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